quinta-feira, 19 de maio de 2011

dylan thomas (1914-1953)

                         
NÃO ENTRES NESSA BOA NOITE QUAL BOM-MOÇO

Não entres nessa boa noite qual bom-moço,
A velhice deve inflamar-se ao fim do dia;
Afronta, afronta a luz que se apaga de todo.

Embora aos sábios também reste o escuro morto,
Pois não garfaram o raio que reluziria,
Não entram nessa boa noite quais bons-moços.

Os bons, ao último aceno, chorando o fogo
Com que seus frágeis atos inda dançariam,
Afrontam, afrontam a luz que se apaga de todo.

Os doidos que abraçaram o sol em pleno voo,
E aprendem tarde como, ao vê-los, o sol doía,
Não entram nessa boa noite quais bons-moços.

Os sérios, os que veem com seu olhar já fosco
Quanto o olho cego inda pode arder na alegria,
Afrontam, afrontam a luz que se apaga de todo.

E tu, meu pai, benze-me aí do triste topo
E maldize-me com tuas lágrimas de ira.
Não entres nessa boa noite qual bom-moço.
Afronta, afronta a luz que se apaga de todo. 

treason: rodrigo madeira


DO NOT GO GENTLE INTO THAT GOOD NIGHT

Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieve it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light. 

11 comentários:

  1. 1.

    I´m sorry, wild welsh
    I´m sorry if I may…
    For I know I´ve melted
    These words that you say
    Forget about that
    ´Bout drying up your sweat
    I´m sorry if I may…
    For crippling your images
    (Meteors and green bay)
    I´m Sorry and excuse-me
    Oh poet, I pray

    2.
    dylan thomas, como tantos outros, morreu “de cachaça”. aos 39 anos (1914-1943) – he went high into that good night. o próprio poeta se gabou de haver batido seu recorde no dia de sua morte – "i've had eighteen straight whiskies. i think that is a record!" uma pena que não tenha largado a birita a tempo...

    só uma historieta do “folklore” real de sua vida: certa feita, o poeta foi a um jantar na mansão de charles chaplin, um de seus maiores ídolos. chegou atrasado, pisando nas asas, num carro bêbado que derrubou parte da sebe à entrada da casa. deu vexame, causou risos e revoltas, foi memorável. chaplin foi apenas um escada durante todo o esquete cômico. antes de ir embora, anárquico de álcool, o poeta ainda aproveitou para dar uma mijadinha no vaso preferido do anfitrião. dylan thomas conseguiu, naquela noite, ser mais carlito do que o próprio chaplin.

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  2. rs, ele mesmo dizia: ''o bêbado é alguem que vc não gosta e bebe tanto quanto vc''.
    Naquela noite Dylan embriagou-se do personagem Dylan,mostrando-se como uma prova real do Carlitos.Chaplin exercera sempre em reflexos visuais, o ''ofício de arte taciturna''e provavelmente admirou a cena do ilustre convidado.O lendário vagabundo,se espelhava nos reflexos ébrios da poesia, cuja a voz silente tambem dormia em paz com a sua chaga, conforme os ditos num dos mais belos poemas deste nosso amigo comum q tanto gostamos!

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  3. NÃO TENTES TRADUÇÕES SEM NOVA BOSSA

    Não tentes traduções sem nova bossa,
    Os clássicos são fênix: gens de pira;
    Trai, trai a língua alheia e não a nossa.

    'Pesar que os velhos sábios 'tão na fossa,
    Dons cuja validade agora expira,
    Eles não tentam traduções sem bossa.

    Mesmo os bons, acenando adeus que possa
    Redimir-lhes a verde e frouxa lira,
    Traem sim línguas alheias, não a nossa.

    Selvagens que caçaram sóis na poça
    E já vão tarde (a frase se lhes retira),
    Não tentam traduções sem nova bossa.

    Severos, ao morrer em sua roça
    Vendo um olho cego a vagar, caipira,
    Traem também a língua alheia e não nossa.

    E tu, caro Rodrigo, sem mais troça,
    Siga, eu digo, sem perdão nem mentira:
    Não tentes traduções sem nova bossa,
    Trai, trai a língua alheia e não a nossa.

    Ivan Não Thomas (Quem Dylia...)

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  4. e agora, ivan, o que eu faço? agradeço ou o mando plantar batata em swansea? pelo que entendi, fui acusado por vossa poetência de trair o idioma português. is that so? se a resposta for afirmativa, já tenho aqui na ponta da língua: ah, meu irmão de tinta, não seja marlais! se vc thomasse tento, dylia menos, dylia menos...
    um abraço (mesmo assim) deste tradutor de meia-tigela.

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  5. Ivanzinho, o justo, descareteia Dom Rodorigo de La Mancha. Alegria, alegoria, beijos hippie hop para o yuppie top.

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  6. e marília ficou pra tia. (não perder a rima é a solução.)

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  7. Ah, o gosto da polêmica me faz quase nem querer achar razões e explicações...

    Mas vou fazer ainda mais que isso, Rodrigo: vou até autopsicanalisar (e autópsia-canalizar) o meu poema-reposta-tradução à sua tradução.

    Antes de mais nada, adianto que você entendeu perfeitamente a minha "poetência", pois ficou indeciso em como interpretá-la.

    Pretendi ser irônico sobre irônico. Portanto, entre agradecer ou me mandar plantar batatas em Wales, sugiro que você faça ambos!

    Eu, de minha feita, falarei marlais (ditongando os ais), mas dylei menos.

    O fato é que (saiba ou não vossa poetência) eu já traduzi este vilancete, o qual eu hesitaria em chamar de vilancico, apesar de ser qualificação igualmente admissível na terminologia.

    Na prática, todos veem, o poema é tão monstro que não combina com um nome em "-ico".

    Vede-o, como o concebi, aqui:

    http://ossurtado.blogspot.com/search?q=gentle

    Entonces, a alma da minha crítica foi um ato fálhico, em estilo "já-fiz-melhor-que-você", e que pode ser também racionalizado como "não tentes recriar as rimas perfeitas do dylan trapaceando com essas rimas toantes de araque!" --

    seguindo este último ponto de crítica mais aguda, a interpretação mais melhor de boa de "língua nossa", no meu descarrego-poema, não está na oposição português-inglês, mas na da "língua dos poetas anjos" contra o modo de expressão constricto pelas gramatiquices e correções normativas - isso que seria "a língua alheia": trair essa e não a nossa é seguir o caminho dos Dylans (o Thomas, o Bob, e a nossa turma toda) - e produzir sempre um poema matador, traduzido ou não, mas que não precise de desculpas nem pedidos de perdão.

    Enfim, acho que me expliquei quase mal, mas você deve ter sacado - e a Marilia acho que entrou no espírito da carnavalização:

    e, no fundo, eu até queria ser o "yuppie top", mas acho que ela se referiu a você, Rodrigo - e essa irreverência revela, noutro fundo mais fundo, que você é o nosso poeta de ponta.

    Satisfeito?

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  8. Ah,
    e "esqueci" (Bakhtin explica) de acrescentar também que, apesar de ser um pedido de desculpas (ou por isso mesmo, enfim...)
    o poema em inglês, no comentário inicial, está ótimo, vertido em perfeita língua nossa (Nossa!).

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  9. depois de cabral, rima toante não é mais demérito. a não ser que bilac coloque cabral no bolso...
    o problema de minha tradução (dito no pedido de desculpas) foi o corte de imagens que fiz, proposital mas envergonhado, para manter a métrica (ainda que torça e luxe o pé - e não quebre!! - aqui e ali). sua tradução é excelente (como o do outro ivan, o junqueira - algumas das soluções rímicas, aliás, são as mesmas), mas vc optou por não fazer um lance metrificado.

    venta muito aqui em gales, à beira-mar,
    mas as batatas estavam ótimas. plantei, colhi, comi, estou cagando. obrigado!

    rodrigo madeira

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  10. ah! tbm esqueci. ivan, embora a pior parte de mim tenha adorado o seu melhor elogio, minha sede de vingança seria capaz de virar 18 doses cowboys de bílis (rubrica: risada hórrida). fui treinado pela al-qaeda na arte de postar em blogs alheios comentários impertinentes. depois desta arenga, me sinto de fato um poeta de ponta, de ponta de estoque: saiu barato!
    me aguarde lá no seu covil de versos! (rubrica: risada hórrida)

    no mais, ivan (e marília, que ficou pra tia da poesia), meus iguais, meus irmãos,
    um forte abraço.
    entro, entro nesta boa noite com brandura.

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  11. Perfeitamente, Rodrigo, mal posso esperar --

    apenas permita-me explicar a bronca com as rimas toantes: é que na tradução de um poema de rimas tão marcadas (e são apenas duas) tuas toantes me transpareceram mais como subterfúgio que como recurso (mesmo que já totalmente abalizado pelo João Cabral de Belo Metro) --

    outrossim, de sua parte, bem observado que roubei algumas soluções rímicas do meu xará na ABL, mas foi só pra mostrar que o poema podia bater mais forte (mesmo quebrando o pé do metro, ou até por isso) --

    anyways, talvez seja mesmo idiossincrático de minha parte admitir e perpetrar quebras de metro porém com manutenção de rimas perfeitas (e não o contrário), só que a meu ver nesse caso aquelas são mais importantes que aqueloutro.

    Assim, fico por isso mesmo, por enquanto.

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