quarta-feira, 4 de junho de 2014

souvenirs

          
*

até quando encontrar
seus fios de cabelo
no meio dos meus livros?


*

agora
imagine
uma
caixa
torácica
de
bom
tamanho
acústica
saudável
onde
pulsasse

bem-
acondicionado

do
lado
esquerdo
do
peito

um
baço. 

             
*
                      
outro dia mesmo, vadiando as gavetas,
topei com uma de suas costelas.

o que um dia foi pra mim
lua crescente, pente,
bumerangue de marfim

(e – ainda – quantas vezes
arco para violinos genoveses?),

hoje é apenas um souvenir
de timbuktu.

                           
*

talvez depois sorrissem, se um deles
perguntasse, patético, aturdido,
na noite exumada:

o único osso
que restou de nosso
amor decomposto

é a lua,
essa mesma lua 
linda lá no alto?

                     
*
                                
(não que fosse aquela nudez
o primeiro alumbramento.)

você lembra?

ali parados, o coração batendo,
surrados
por uma corja de borboletas.

            
*
       
não é o tempo, necessariamente.
não é da alçada dos relógios.
o vento
                                 
é que comove as árvores, despenteia
o móbile das lembranças.
                                                                                      

2 comentários:

  1. muito bom encontrar textos assim, que nos invadem e se alojam, de alguma forma, sob a pele. muito raro também.

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