quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

william blake

     
  

                     
A MOSCA


Pequena Mosca,
Sem ter noção,
Varreu-te a festa
A minha mão.

E não sou eu
Mosca sem nome?
Ou não és tu
também um homem?

Também eu danço
E bebo e entoo,
Até a mão cega
Varrer meu voo.

Se o pensamento
Respira e é forte
E o pensamento
Aspira à morte,

Alegre mosca
Eu venho a ser,
Se eu seguir vivo,
Ou se eu morrer.

trad. r.m. 


THE FLY


Little Fly,
Thy summer's play
My thoughtless hand
Has brushed away.

Am not I
A fly like thee?
Or art not thou
A man like me?

For I dance
And drink, and sing,
Till some blind hand
Shall brush my wing.

If thought is life
And strength and breath
And the want
Of thought is death;

Then am I
A happy fly,
If I live,
Or if I die.
                   

4 comentários:

  1. Rodrigo, bela versão do poema de Blake! Seu livro "Sol sem Pálpebras" é um dos melhores de poesia que já li. Por favor, continue!

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  2. valeu, evaristo, pelas gentilezas. e vamos que vamos.
    parodiando o machadão...
    o poeta que há em nós - quer a gente acerte ou erre feio - é da família das moscas teimosas: por mais que a gente o espante, ele torna e pousa.

    r.m.

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  3. muito boa a traducao, acho admiravel isso de manter a rima sem mudar o sentido, sentido q me parece ter sido completamente mantido, apesar do meu ingles fraco, ao menos pra poesia (ate bem pouco tempo atras nao sabia da segunda pessoa do singular, atualmente em desuso!) sobre esse tema, alias, li q a onda agora 'e usar o they singular (a exemplo do you), isso impediria q, ao se retomar um nome neutro (ex: person), fosse preciso optar ou bem pelo falocentrista 'he' ou bem pelo meio incomodo 'he or she'...
    grande abraco.

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