quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

kazuo ohno

            
                                     


                                        Photograph by Nourit Masson-Sekin             
                  


o antemorto dançarino de butô
é marcescente ao vento, botão de flor

o antenascido dançarino de butô
é milagre no ventre, fim de flor

é o espírito usando a carne
pra dizer o que a carne não sabe

é o espírito usando a carne
pra dizer o que na carne não cabe

o corpo que use o corpo
pra dizer o que o corpo não fala

a dança do cadáver, do fantasma
em louvor à vida, antes que a dança da vida
acabe 

2 comentários:

  1. o "corpo de baile"!

    lindo poema!

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  2. perfeito meu irmãozinho.
    abraço. Lepre.

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